Relacionamento existe para ser vivido a dois, numa matemática que precisa ser respeitada e seguida à risca. Só assim a presença vira soma e a alegria se multiplica, numa conjunção maravilhosamente perfeita.

Quando se entra em um relacionamento, a principal intenção é ter com quem contar; é ter alguém para dividir o dia a dia e todas as surpresas, sensações e frustrações que ele vier a proporcionar.

O que se espera de um relacionamento é ter alguém que ajude a compreender o sentido da vida, e que pretenda caminhar junto, para este sentido; é contra as regras do relacionamento caminhar na contramão.

Nunca, jamais alguém vai entrar em um relacionamento para viver sozinho, carente de presença amorosa ou de carinho. A condição básica, e fundamental, é ter alguém pra dividir uma noite de descanso, um abraço de comemoração, um apoio nas horas difíceis e aquele tão esperado e necessário: “vai ficar tudo bem”.

Afinal, ninguém quer ter um relacionamento apenas de aparência ou, em muitos casos, nem isso. Se for pra ser assim, melhor não ser nada. Relacionamentos sem companheirismo tornam-se um vazio difícil de suportar, simplesmente porque perde o sentido; perde as características essenciais e vira propaganda enganosa.

Esse vazio vivido a dois é extremamente nocivo, frustrante e desafiador. Mas ainda assim muitas pessoas se sujeitam e nem todos têm coragem para romper essa matemática furada e equivocada.

Nesse tipo de relacionamento, existem sempre dois personagens: o ativo e o passivo. Ninguém deveria querer assumir nenhum destes dois papéis. O ativo demonstra claramente que não sabe nada sobre relacionamento. O passivo comprova que não sabe nada sobre amor próprio e autoestima.

Porque se o passivo convive com alguém que não está nem aí para suas necessidades; alguém que não se esforça para estar presente de corpo e alma; se está sempre sozinho na rua, nos eventos, na mesa ou na cama está desperdiçando tempo e sentimento, duas preciosidades.

Ao passo que, quem não tiver tempo, de qualidade e por menor que seja, para dedicar àquela pessoa com quem decidiu dividir a vida, não merece essa condição.

Quantas pessoas não vivem essa realidade? Quantas pessoas são tratadas com ignorância, com desatenção, com frieza e pouca consideração? Quantas vezes a desculpa do cansaço, do estresse do trabalho ou do trânsito, ou de qualquer outra coisa, torna-se o motivo perfeito para ser indiferente com quem deveria ser centro das atenções?

Relacionamento não é isso. Relacionamento é consideração além do cansaço; é respeito em qualquer circunstância; é companheirismo mesmo nos problemas e em situações pouco agradáveis; é querer contribuir de alguma ou de qualquer forma, para o bem-estar do outro; é dividir tarefas, confissões e segredos, sem tirar o espaço e a privacidade, que também são essenciais.

Relacionamento não vem com fórmula específica, é feito de muitas variáveis. Mas companheirismo é um item que não pode faltar. Caso contrário, vira conjunto vazio, e comprometerá a relação. Afinal, se é pra rir e chorar sozinho, é melhor viver a um do que a dois. Pesa menos e faz sofrer muito menos.

Mas aos que estão na classe dos ativos, recomendo cuidado. Seus dias de parceiro insensível podem estar com os dias contados.

 

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