
O feminismo, assim como muitas outras ideologias da sociedade moderna, depende diretamente de uma estabilidade social sustentada pelo trabalho extenuante de bilhões de pessoas ao redor do mundo. Temos acesso a uma riqueza construída pela tecnologia: água encanada, energia elétrica, saneamento básico, remédios, alimentos higienizados e prontos para o consumo. Todas essas conquistas são formas do ser humano se sobrepor ao seu próprio estado de natureza.
Não é natural abrir uma torneira e sair água. Não é natural uma lâmpada acender porque elétrons percorreram milhares de quilômetros por fios. Não é natural trocar papel pintado ou números virtuais por alimento limpo e disponível. O natural do homem é a miséria. O natural é a escassez.
Ainda hoje, em muitos lugares do Brasil, há pessoas vivendo sem acesso fácil a essas coisas básicas, enfrentando extrema dificuldade para comer, sem água encanada ou saneamento. Nessas condições, homens e mulheres não estão preocupados com ideologias ou direitos escritos em papel. Estão preocupados com sobrevivência.
Homens e mulheres historicamente ocuparam papéis complementares na construção da sociedade. Ao longo de milênios, majoritariamente homens estruturaram sistemas, ergueram cidades, construíram infraestrutura e garantiram proteção física. Mulheres sempre tiveram valor imensurável pela capacidade de gerar vida, formar filhos e sustentar o núcleo familiar como ponto de referência moral e afetiva. Ambos importantes, cada um à sua maneira.
No entanto, o que se vê hoje é uma ruptura desse equilíbrio. Mulheres trocaram a possibilidade de criar seus filhos, cuidar de suas famílias e serem protegidas por seus maridos para pegar o que de pior existe no homem para si e chamar isso de direitos. Tornaram-se escravas do sistema, resumiram seu valor ao dinheiro, assim como foi feito com os homens muito tempo antes.
Nós nascemos dentro de um avião em pleno voo e acreditamos que esse é nosso habitat natural. Poucos param para refletir sobre o que precisa funcionar para que as coisas continuem como estão. Para que uma única pessoa possa voar, milhares trabalham em manutenção, sistemas e logística. Se algo falha, a possibilidade real de morte existe. Nossa sociedade inteira funciona assim, sustentada por estruturas artificiais que exigem funcionamento contínuo.
Três dias sem eletricidade e grande parte do que conhecemos entra em colapso. Uma semana sem água e o caos se instala. Um mês sem abastecimento regular de comida e a fome se espalha. Cada dia a mais é um passo em direção à aniquilação de uma humanidade que se tornou completamente dependente do próprio sistema que criou.
Ironicamente, se a sociedade moderna entrasse em ruptura, talvez sobrevivessem justamente aqueles que hoje consideramos miseráveis, pessoas que carregam baldes de água, lavam roupas à beira do rio, criam animais, os abatem, limpam e conservam a carne, pessoas que conhecem a natureza e sabem sobreviver nela. O restante da humanidade é que está sempre a um passo da extinção, não por falta de recursos, mas por falta de autonomia.
E exemplos dessa fragilidade estrutural já nos foram dados. A humanidade passou por guerras, pandemias e eventos naturais devastadores que a empurraram novamente para algo muito próximo do estado de natureza. Nessas horas, voltamos aos direitos reais e naturais, à realidade de carne e osso. Ninguém está preocupado com movimentos ideológicos quando está com a barriga vazia ou com medo.
Quando surge a possibilidade de reconstrução, o ser humano começa novamente a substituir o real pela fantasia. Usa a dependência, a fome e o medo como ferramentas para alavancar ideias, culpar uns, idolatrar outros. Algumas gerações depois, volta a acreditar que o bem-estar social é um direito natural. Não é. Letras em papel não garantem nada, não tiram a fome, não dão moradia, não protegem do mal.
A força vem de homens e mulheres fortes, que formam famílias fortes e, assim, comunidades fortes. Essa foi a base que criou toda a infraestrutura que nos deu conforto, tecnologia e alimentos. Essa foi a base que colocou o avião no ar. E agora, mesmo sem guerras ou pestes, as ideologias tem se mostrado tão corrosivas e destrutivas quanto, levando as novas gerações se tornarem ricas em informação e tecnologia, porém completamente dependentes e incapazes.






















