Ivan Capelatto, em sua participação no Café Filosófico, explora a solidão dos românticos, que buscam um amor impossível e evitam vínculos para manter o ideal romântico. Essa escolha de isolamento resulta em angústia e neuroses. Confira abaixo a transcrição da fala de Capelatto.

Os escritores românticos foram, em sua maioria, sujeitos extremamente solitários, e muitos morreram muito cedo. Outro dia, eu lembrava de Augusto dos Anjos, não sei se foi aqui no café, mas falávamos sobre ele. Ele era um poeta mórbido que, em seus versos, falava sobre o romance com a mulher do outro, com a mulher morta, com a mulher que já não existe mais – a mulher objeto, perdida.

E então, o que são os românticos? Os românticos foram sujeitos isolados, que usavam o romance como uma forma de sublimar sua solidão. Historicamente, nenhum deles viveu uma vida romântica ao lado de uma esposa. Porque, se tivessem uma esposa, o romance deles acabaria ali, não é? O romântico não pode ter filhos, não pode ter uma esposa, não pode ter vínculos com ninguém, talvez um cachorro de pelúcia, mas esse também não pode ser romântico.

O romântico é um sujeito que está sempre fazendo escolhas, mas também se livrando delas logo em seguida. E aqui entramos no conceito que Freud chamava de “instinto de morte”. O romântico escolhe uma coisa no auge da sua intensidade, mas depois a dispensa para evitar o desprazer, para evitar a angústia. E aí, o que acontece? O romântico se vê imerso em uma doença gravíssima: as neuroses e angústias.

Transcrição feita e adaptada pelo Provocações Filosóficas do trecho da palestra de Ivan Capelatto para o Café Filosófico.

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