“Quanto mais bem constituído e amadurecido emocionalmente for o indivíduo, mais competente ele estará para viver um relacionamento afetivo de boa qualidade. Podemos dizer que relação afetiva de boa qualidade é um subproduto do próprio crescimento individual, sendo este, curiosamente, também o ingrediente necessário para que possamos viver bem sozinhos, o que não tem nada de contraditório, porque, como já dito, quem pode viver bem sozinho estará em condições para viver relações amorosas de boa qualidade (quem pode viver bem sozinho nem sequer irá querer relações amorosas de má qualidade).

Existem três estados civis: mal casado, solteiro e bem casado. O solteiro é hierarquicamente superior ao mal casado – este último tolera qualquer coisa por não aguentar ficar sozinho. Já a pessoa que tem sua individualidade bem constituída, que fica melhor consigo mesma e que encontrou razoável harmonia em si tem menos medo de que o amor venha a ofender e/ou ameaçar a sua individualidade, já que esta não está mais em questão, ou seja, não há risco de perda da individualidade porque ela já se estabelecera.

Além disso, nos encontros amorosos de grande intensidade as afinidades predominam, de modo que o risco de ofensa à individualidade é menor, porque a individualidade é muito mais prejudicada nos casos em que temos que nos adequar a uma pessoa muito diferente da gente. Portanto, as afinidades garantem uma menor ofensa à individualidade. A constituição de uma boa identidade, um crescimento e amadurecimento emocionais definem uma boa identidade pessoal que garante uma relação afetiva sem grandes ameaças”.

Transcrição feita e adaptada pelo Provocações Filosóficas da palestra: A separação dos amantes – Flávio Gikovate – Café Filosófico.

Veja na integra no vídeo abaixo.

Flávio Gikovate nasceu em 1943 e publicou 34 livros. Psiquiatra, dedicou-se à psicoterapia e tornou-se um dos mais conceituados e reconhecidos psicoterapeutas brasileiros. Para conhecer diversos livros do autor, clique AQUI.

Na cultura de hoje o bacana é ser jovem, e o próprio fato natural do envelhecimento se tornou algo a ser evitado a qualquer custo. Existe um desespero para manter a jovialidade em um mundo que não aceita mais a velhice, porém é o mesmo mundo no qual as pessoas vivem cada vez mais.

“Quanto mais bem constituído e amadurecido for o individuo, mais competente ele estará para viver relações de boa qualidade. A relação afetiva de boa qualidade é um subproduto do próprio crescimento individual.”