É hora de fazer as malas e partir, quando as palavras não convencem, quando há mais brigas do que carinhos, quando as gentilezas são trocadas por favores, quando há apenas monólogos, quando sair sozinho é mais importante do que ir comerem uma pizza juntos, quando há mais obrigações do que prazeres, quando não há mais cumplicidade e amizade.

Sabe, eu queria ser uma pessoa que acreditasse em segundas chances, em perdões, em novas possibilidades sem medir muito. Queria ter mais inocência. Queria acreditar mais. Queria ser menos egoísta e menos pé no chão. Queria ter pureza de coração como as crianças. Queria acreditar em promessas. Queria, mas depois que se leva um tapa na cara, é muito improvável não amargar, nem que seja um pouco.

Já escrevi muito sobre traição, desafetos e desenganos, porém não havia confidenciado que sobrevivi a duas traições que me tiraram do eixo. Naquela época tentei entender o porque de tanta humilhação e nenhuma resposta alimentou a minha dor. A desilusão me abraçou, me amarguei e não deixei me envenenar pela descrença de viver um novo amor, um novo alguém. Ninguém é igual e todo mundo mente um pouco, nem que seja por um instante ou uma vez na vida. Descobri que trastes são trastes e que apenas aquele 1% é que vai se regenerar.

Deixei de ser “bobinha” para ser alguém com mais experiência. Hoje, sou menos vulnerável e mais eu. Me refiz das quedas e concluí que o amor é o que move a minha vida. Aprendi a viver romances sem idolatrias, porque em um relacionamento, o respeito deve estar acima de qualquer outra atitude ou até mesmo acima do carinho. Quem respeita é leal, sabe o que quer e não manipula os sentimentos.

Levamos um tempo para aprendermos que homem é homem e traste é traste, que pessoas são pessoas e covardes são covardes. Não é fácil assumir os erros, contar os pecados e admitir os enganos, no entanto é necessário ser mais humano e menos mentiroso. As pessoas traem, mentem e comentem erros, porém viver um relacionamento de fachada ou por submissão é muita falta de amor próprio. Não é fácil ser forte, dar uma segunda chance, perdoar e até mesmo recomeçar, isto tudo é quase impossível, mas é necessário quando o amor fala mais alto e grita por um novo alguém.

É muito difícil por um ponto final, terminar um relacionamento de anos, levantar a cabeça e seguir, isto tudo leva muito tempo para equilibrar, mas há sempre um novo horizonte, mesmo se não há caminho. Vamos passar dias e mais dias tristes, o choro vai ser o melhor acalanto e a saudade vai apertar quando as memórias forem atrás dele. Vamos viver o luto para renascer um novo amor…

É hora de fazer as malas e partir, quando as palavras não convencem, quando há mais brigas do que carinhos, quando as gentilezas são trocadas por favores, quando há apenas monólogos, quando sair sozinho é mais importante do que ir comerem uma pizza juntos, quando há mais obrigações do que prazeres, quando não há mais cumplicidade e amizade. É hora de dar adeus e partir quando há friezas, indiferenças e tempestades. É hora de ficar sozinho quando não há entendimentos, quando o abraço é esquecido, quando o beijo deixa de existir e quando o coração dói distâncias. Se há dor demais, é hora de dizer adeus.

Talvez ele seja perfeito, ideal para casar e ser pai, mas não foi feito para você. Talvez ele seja o seu sonho, mas você não é o dele. Talvez ele tenha descoberto que é preciso aproveitar a vida e viver outros romances. Talvez ele decidiu apenas sair por aí e conhecer outro alguém por ser um traste mesmo. Não é culpa de ninguém, nem sua, nem dele. São as direções da vida que, às vezes, separam para se encontrar em outro coração.

Sobrevivi e venci os contratempos que me apareceram quando estava amando alguém, mas definitivamente não acredito em relacionamentos instáveis e sem entregas. Se não houver lealdade, não sobreviverá uma vida inteira, porque o amor é transparente e não sobrevive em meio as indiferenças.

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Simone Guerra
Simone Guerra, mãe, educadora e escritora. Autora do romance "Recomeçar Sem Medo". Co-autora do livro Vestidas de Palavras. Premiada em concursos literários e pedagógicos. Entre sentimentos e palavras, leva a vida em prosa e poema.