Sigmund Freud tem uma obra especial datada de 1921 chamada “Psicologia das massas e análise do eu”. Nela ele explica como se dá o poder que provem das grandes massas na sociedade.

Destaquei um trecho bastante elucidativo que me inspirou a escrever esse texto. Leia com bastante atenção!

“A massa é extraordinariamente influenciável e crédula, é acrítica, o improvável não existe para ela. Pensa em imagens que evocam umas às outras associativamente, como no indivíduo em estado de livre devaneio, e que não têm sua coincidência com a realidade medida por uma instância razoável. Os sentimentos da massa são sempre muito simples e muito exaltados. Ela não conhece dúvida nem incerteza. Ela vai prontamente a extremos; a suspeita exteriorizada se transforma de imediato em certeza indiscutível, um germe de antipatia se torna um ódio selvagem. Quem quiser influir sobre ela, não necessita medir logicamente os argumentos; deve pintar com imagens mais fortes, exagerar e sempre repetir a mesma fala.

Como a massa não tem dúvidas quanto ao que é verdadeiro ou falso, e tem consciência da sua enorme força, ela é, ao mesmo tempo, intolerante e crente na autoridade. Ela respeita a força, e deixa-se influenciar apenas moderadamente pela bondade, que para ela é uma espécie de fraqueza. O que exige de seus heróis é fortaleza, até mesmo violência. Quer ser dominada e oprimida, quer temer os seus senhores. No fundo, inteiramente conservadora, tem profunda aversão a todos os progressos e inovações, e ilimitada reverência pela tradição.”

Sigmund Freud

Achei perfeita sua colocação. Inclusive quase 100 anos atrás ele já anteviu as famosas fake news. As massas pensam em imagens e de forma muito simplória, sem averiguar as informações, sem consultar as fontes mais confiáveis etc.

Tenho a impressão de que as pessoas especializadas em fake news estudaram a mente humana profundamente, porque elas fazem com que as massas fiquem ensandecidas com suas informações falaciosas.

Infelizmente, foi isso o que vimos por todos os lados durante a campanha política de 2018. Quero deixar claro que esse texto é mais psicológico, não vou me focar na questão política até porque sei que pela data na qual o estou publicando, todos já sabem muito bem em quem vão votar (26/10/18), afinal, as eleições são no dia 28/10/18.

Meu objetivo é ensinar um pouco como funciona a Psicologia das Massas, assunto que considero interessantíssimo.

Freud destaca diversos pontos, como a INTOLERÂNCIA. As massas vão sempre para os EXTREMOS, ou é uma coisa ou é outra, nunca existe o caminho do meio. Só isso já explica boa parte do nosso sofrimento, porque Buda já falou há 2600 que o caminho da cessação do sofrimento se dá pelo famoso caminho óctuplo, que em resumo é O CAMINHO DO MEIO.

Nossa sociedade está sofrendo, está adoecida porque insiste em continuar indo para os extremos. Deixo clara a minha posição inspirada nesse grande mestre, o Buda Gautama. Um dia chegaremos a esse caminho do meio, vai demorar muito, mas tenho fé de que chegaremos lá…

Outro ponto interessante é o final da citação, na qual ele diz que a massa precisa de um líder autoritário. Não canso de repetir nos meus textos que autoridade é absolutamente diferente de autoritarismo. A palavra autoridade pela etimologia é muito linda, ela quer dizer “tornar-se autor da própria jornada”. Quem verdadeiramente tem autoridade ajuda o outro a si tornar autor da sua própria vida, sem precisar se escorar em ninguém, sem precisar ser dependente de ninguém! Já o autoritarismo é ditar regras que ou são obedecidas ou se não forem, os que desobedecerem serão punidos de alguma forma.

A sociedade brasileira parece que tem um fascínio pelo autoritarismo. Já ouvi diversas vezes nos mais diversos lugares a seguinte frase: “Alguém precisa botar ordem na casa…”.Confesso que tenho dificuldade de entender o que realmente quer dizer isso.

Em minha opinião, “colocar ordem na casa” é pensar em todos, é diminuir as imensas desigualdades sociais que se evidenciam cada vez mais.

Perceba como isso é interessante! Uma estante organizada ou uma sala organizada é aquela que possui de forma mais ou menos uniforme a divisão dos livros ou dos objetos. Uniformidade implica igualdade, e implica que não pode haver mais de um lado e menos do outro. Agora leve isso para o campo social! É a mesma coisa.

Na nossa bandeira está escrito “Ordem e Progresso”. Estamos exatamente seguindo o caminho oposto, “Desordem e Retrocesso”.

Ordem e progresso se dão nos países onde as desigualdades sociais são minimizadas, os países de 1º mundo. Desordem e retrocesso se dão nos países onde reina as desigualdades, que são os de 3º mundo.

Você sabe bem que o Brasil está mergulhado há anos numa crise, e o poder de compra do nosso povo caiu absurdamente. Os índices de pobreza são assustadores e de desemprego mais ainda. Estávamos superando muita coisa, o Brasil já chegou a ser a 6ª economia do mundo. Hoje, porém, tenho pouca esperança de que ele volte a esse patamar.

Estávamos entre os países de 2º mundo ou emergentes, mas estamos caminhando a passos largos mais uma vez de volta ao 3º mundo.

O cantor e compositor Humberto Gessinger tem uma música lindíssima conhecida por poucas pessoas, está no primeiro LP da banda “Longe demais das capitais” de 1986, e a música tem o mesmo título.

Numa das frases ele diz: “Eu sempre quis viver no velho mundo, na velha forma de viver. O 3º sexo, a 3ª guerra e o 3º mundo. São tão difíceis de entender…”.

Esse 3º mundo está se evidenciando cada vez mais e nosso povo está de vento em popa voltando para esse velho mundo!

Gostaria que estivéssemos indo todos juntos para um novo mundo, com mais amor, menos privilégios, com mais compreensão e zero autoritarismo, mas eu não tenho poder sobre as massas. Quem sou eu para não dar o devido crédito a Freud não é mesmo? Afinal, quem nunca ouviu a frase “Freud explica”?

Freud explica muito bem a realidade brasileira! Estamos mergulhados no velho mundo…

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