
Ariano Suassuna na participação do programa Sangue Latino para o Canal Brasil fala sobre Deus, o sofrimento e a vida. Veja abaixo a transcrição da fala de Suassuna.
Você acredita em Deus? Se não, eu não conseguiria viver com essa visão amarga e dura do mundo. Então, ou existe Deus, ou a vida não tem sentido nenhum. Bastaria a morte para tirar qualquer sentido da existência. Não somos agentes de um placar, somos mais que isso.
Olha o grande poeta popular, Leandro Gomes de Barros, meu conterrâneo da Paraíba. Ele escreveu “Trânsito Norte Composto”, que eu acho que resume o problema filosófico mais grave da humanidade. O grande escritor francês, Albert Camus, em seu livro, começa dizendo que o único problema filosófico realmente sério é o do suicídio. O suicídio é a forma mais extrema de avaliar o mundo e chegar à conclusão de que não vale a pena viver.
Mas, para mim, o real problema filosófico não é apenas o suicídio; é o problema do mal e do sofrimento humano. Leandro Gomes de Barros reformulou isso de maneira brilhante com uma pergunta muito séria. As pessoas que acreditam em Deus, elas se perguntam: “Por que sofremos tanto aqui na Terra? Que dívida é essa que o homem tem que pagar, morrendo e trabalhando?” Ele perguntaria também como é que Deus é feito, que não dorme, não come, mas está satisfeito com a criação. E por que ele fez algumas pessoas sofrerem tanto desde o nascimento, enquanto outras têm vidas mais fáceis.
Ele fez essa reflexão sobre a própria existência de Deus. Como se Deus tivesse temperado o sofrimento humano, e no fim, esse tempero acabou salvando o pranto. Essa reflexão traz uma visão sobre como Deus e o sofrimento se relacionam, como se fosse uma tentativa de dar sentido ao sofrimento humano.
Para mim, Deus é uma necessidade. Se eu não acreditar em Deus, então o desespero toma conta de mim.
Transcrição feita e adaptada pelo Provocações Filosóficas do trecho do programa: Sangue Latino com Eric Nepomuceno para o Canal Brasil
Confira na íntegra:
Ariano Suassuna fala sobre sua percepção de Deus, “Eu não conseguiria conviver com essa visão amarga, dura, atormentada e sangrenta do mundo. Então, ou existe Deus ou a vida não faz sentido nenhum”.
Idealizador do Movimento Armorial e autor das obras Auto da Compadecida e O Romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta, foi um preeminente defensor da cultura do Nordeste do Brasil.
Foi Secretário de Cultura de Pernambuco (1994-1998) e Secretário de Assessoria do governador Eduardo Campos até abril de 2014.






















