
Leo Fraiman na participação do programa Todo Seu fala sobre os danos da superproteção e a importância dos limites na educação dos filhos. Veja abaixo a transcrição da fala de Fraiman.
A criação das crianças hoje em dia é muito diferente do que era antigamente, especialmente para a geração dos pais atuais. Muitos desses pais acabam se intrometendo demais no cotidiano dos filhos, o que pode ser prejudicial. O que será que nossos futuros adultos vão desencadear em seus comportamentos se continuarem sendo excessivamente protegidos? O que vemos nos consultórios hoje em dia é a ansiedade, pois a criança não aprende a esperar e o adolescente não sabe lidar com frustrações. Vivemos em um mundo imediato, onde tudo é acessível instantaneamente, e esse comportamento se reflete até nas relações familiares. A mãe, muitas vezes, desesperada, não consegue frustrar o filho e acaba cedendo, com uma culpa que não deveria existir.
Um exemplo claro disso é a dificuldade que muitos pais têm de impor limites aos filhos. Eles acreditam que não devem frustrar os filhos em nenhum momento, o que gera uma dependência emocional e falta de maturidade. O adolescente, por exemplo, não sabe o que é esperar e acaba se tornando um adulto mimado, sem gratidão por nada. Isso é gerador de depressão, pois a pessoa que não sabe se frustrar também não sabe o que é conquistar algo de forma independente.
Esses problemas estão ligados diretamente ao córtex pré-frontal, a parte do cérebro responsável pela tomada de decisões, pelo controle de impulsos e pela lógica. O cérebro é moldado pelo uso e desuso dessa área. Por exemplo, se você treina o cérebro por meio de atividades como malabarismo, isso faz com que o cérebro, mais especificamente a área responsável pelo movimento, se desenvolva. O mesmo ocorre com o córtex pré-frontal, que precisa ser constantemente exercitado.
Portanto, quando os pais superprotegem seus filhos, eles estão, na verdade, prejudicando o desenvolvimento cerebral da criança, distorcendo a arquitetura do cérebro dela e criando deficiências que impactarão sua vida adulta.
Além disso, esse comportamento gera uma geração de pais helicópteros, aqueles que ficam constantemente sobrevoando os filhos, tentando controlar tudo na vida deles. Esses pais precisam entender que não podem proteger os filhos de todas as frustrações. Eles têm que ensinar a criança a lidar com os limites, pois, se não o fizerem, estarão criando um filho incapaz de lidar com a realidade e com a vida adulta.
E quanto ao comportamento de não impor limites? Quantas vezes vemos no consultório pais dizendo que não aguentam mais lidar com filhos sem limites? Se os pais não estabelecerem essas barreiras, como é que as crianças vão aprender a respeitar as regras da sociedade? O futuro desse filho pode ser complicado, com dificuldades de se adaptar ao mundo real.
Por fim, é importante que os pais entendam as três coisas inegociáveis no desenvolvimento dos filhos: saúde, educação e respeito. A saúde exige que os pais garantam horários adequados para dormir e se alimentar. A educação não pode ser escolhida pela criança, e os pais precisam se envolver na escolha da escola, garantindo que ela ofereça uma educação de qualidade. O respeito, por sua vez, implica em não permitir que o filho desrespeite as regras de convivência, como xingar ou desobedecer aos pais.
Se os pais não impuserem limites, estar criando um filho mimado, que não aprenderá a lidar com a vida. É necessário ser firme e responsável, porque, caso contrário, essa criança se tornará um adulto com dificuldades para se adaptar à sociedade, como um trabalhador mimado ou um chefe autoritário sem empatia.
Transcrição feita e adaptada pelo Provocações Filosóficas do trecho do programa: Crianças Inseguras – Todo Seu (01/02/16)
Confira na íntegra:
Leo Fraiman é psicoterapeuta, supervisor clínico e diretor da clínica Leo Fraiman de Psicoterapia e Gestão de Carreiras, também é especialista em psicologia educacional e mestre em psicologia educacional e do desenvolvimento humano pela Universidade de São Paulo (USP).





















