
O casamento, ao longo da história, foi visto como um alicerce essencial da sociedade, uma união entre duas pessoas que se comprometiam a construir uma vida compartilhada. No entanto, a ideia de estabilidade e felicidade que o casamento propunha tem se tornado, em muitos casos, cada vez mais complexa. Isso exige uma reflexão profunda sobre os custos emocionais, jurídicos e financeiros que envolvem esse compromisso.
Arthur Schopenhauer, filósofo do século XIX, ofereceu uma visão crítica sobre o casamento, sugerindo que ele não representava um amor genuíno, mas sim uma convenção social. Para ele, o casamento era motivado pelo impulso biológico de perpetuação da espécie e não pela busca de felicidade mútua. Em sua obra Sobre as Mulheres, Schopenhauer afirmou que “o casamento é uma tentativa de unir dois seres que, com o tempo, se tornam inimigos”. O que começa com a paixão, com o tempo, pode se transformar em um terreno de desilusão e repúdio. Essa visão ainda é válida em muitos contextos atuais, onde o casamento muitas vezes se torna mais uma imposição social do que uma escolha genuína.
Sob uma perspectiva psicológica, é necessário refletir sobre o conceito de autonomia emocional dentro da relação. O psicólogo Jordan Peterson destaca que uma relação saudável deve ser baseada em responsabilidade mútua, onde ambos os parceiros contribuem para o crescimento individual e para a estabilidade emocional do outro. “A responsabilidade é uma das fontes mais poderosas de sentido na vida, mas também pode ser uma fonte de grande sofrimento se não for bem administrada”, diz Peterson. O casamento, portanto, exige equilíbrio. Sem ele, o relacionamento pode se tornar um fardo, onde o sofrimento de um dos parceiros se sobrepõe ao bem-estar de ambos.
No campo jurídico, o casamento também apresenta desafios significativos. Em alguns casos, as leis podem ter consequências inesperadas, como quando alegações de violência psicológica ou física são feitas sem comprovação suficiente. Medidas protetivas podem ser solicitadas com base em acusações não verificadas, causando rupturas tanto emocionais quanto patrimoniais. O regime de comunhão parcial de bens, por exemplo, pode trazer desvantagens para o cônjuge que foi o principal provedor financeiro, ao garantir a divisão igualitária dos bens adquiridos durante o casamento. De acordo com estudos, 52,2% dos divórcios não consensuais são iniciados pelas mulheres, refletindo um protagonismo feminino crescente na decisão de romper a união. No entanto, isso não implica que apenas as mulheres se beneficiem desse protagonismo, mas que, muitas vezes, as consequências do divórcio são igualmente desafiadoras para ambos os lados.
Os custos financeiros do divórcio, como pensão alimentícia e divisão de bens, são apenas algumas das consequências desse processo. A pensão alimentícia, por exemplo, pode se tornar um peso financeiro significativo, obrigando um dos cônjuges a manter um padrão de vida para o ex-parceiro e filhos, sem que sua capacidade de pagamento seja devidamente considerada. A guarda dos filhos, embora a guarda compartilhada tenha se tornado mais comum, continua sendo uma questão delicada, com decisões que afetam o bem-estar emocional de todos os envolvidos.
Diante disso, o casamento como instituição exige uma análise crítica e profunda. O casamento não deve ser visto apenas como uma promessa de amor eterno, mas também como um compromisso que envolve desafios, responsabilidades e riscos. O pensamento filosófico, psicológico e jurídico nos oferece uma visão multifacetada dessa união, revelando que, por trás das expectativas românticas, existem custos emocionais e financeiros que não devem ser negligenciados. Em um mundo onde as expectativas muitas vezes são irreais e desiguais, a verdadeira questão a ser feita não é mais: “O que o casamento pode me oferecer?”, mas sim: “O que ele pode me tirar?”. Em um contexto onde os desafios são muitas vezes maiores que as promessas, o casamento ainda faz sentido ou devemos buscar novos caminhos para alcançar a felicidade e o equilíbrio emocional? Essa reflexão, talvez, seja o primeiro passo para uma abordagem mais consciente e realista das nossas relações.





















