“Quanto mais inteligente é a mulher, mais difícil é se casar, diz estudo”. O título me chamou a atenção, porque parece que a inteligência da mulher virou algum tipo de maldição a ser analisada. Por outro lado, aqui na prática eu observo que o índice de mulheres “solteironas”, separadas e problemáticas no amor envolve aquelas que, teoricamente, seriam um partidão: bonita, inteligente, engraçada, bem resolvida, boa de papo, boa de cama, independente, determinada… E sozinha.

Por que? Porque as ditas “partidões” estão ocupandoessa estatística triste de relacionamentos fracassados?

A conclusão a que cheguei sem estudo da NASA mesmo, é que uma mulher assim ameaça o tipo de homem ao qual ela se prenderia: inteligente, engraçado, bem resolvido, bom de papo, bom de cama, independente, determinado… Feito ela.

Esse mesmo tipo de mulher parece um ímã de problemas, de homens dependentes, sugadores, buscando quem resolva seus dramas, que lhes dê a segurança da mamãe. “Eu sempre atraio o cara errado”. É verdade! Triste, mas verídico. Ou o cara é o tipo errado, ou é comprometido, mas o certo é que não é O CARA.

Por que? Deve ser a lei da atração, sei lá. A mulher assusta os bons partidos, porque o homem dominante, independente, do tipo machão, do tipo que dá a mulher segura AQUELA segurança que ela espera, precisa de espaço pra existir. E uma mulher em situação semelhante a dele, que poderia ser uma parceirona, se torna uma ameaça.

Não compreendo o porquê. O homem capaz de ficar com a tal da mulher forte tem grandes chances de ter uma boa vida material, de desenvolver conversas sobre qualquer assunto, de não ouvir a desculpa da dor de cabeça, sei lá, não me entra na cabeça.

Daí eu entendo porque as mulheres eram ensinadas nos séculos passados a se resignarem nos bordados e tarefas domésticas e maternais, sendo boas esposas caladas e disponíveis em casamentos duradouros. Porque por mais que houvesse dentro delas um mundo gritando, elas encenavam o papel de submissão, de baixo intelecto e boa aparência, e eram por fim, boas esposas.

Mas aí a gente resolveu queimar sutiãs! Fazer revolução, buscar respeito, igualdade, liberdade, botamos calças, cortamos o cabelo curto e tomamos a iniciativa em nos divorciarmos. Nada mais de o vaso mais fraco abandonado. Éramos a fortaleza que não queria mais viver naquela situação. A mulher descobriu o mundo! Fomos atrás de escassos e inspiradores exemplos femininos de coragem e não havia mais limite para nós. O resultado?

Formou-se um time de MULHERÕES, que se sustentam sozinhas, fazem sexo no primeiro encontro se estiverem afim, não fazem sexo nunca se não estiverem com vontade, estudam, exigem, não toleram coisas intoleráveis porque não precisam, não dependem de homem nenhum e ainda esbravejam “eu não preciso de você”. E o camarada precisa pular miúdo pra manter a bomba relógio da mulher chamada SENTIMENTO, que é o único elo que os une.

Os valores mudaram, os padrões mudaram e a realidade mudou. Tudo tem um preço, é o que é. Erguer a voz e mostrar que não é muda, que pensa, que faz acontecer, assusta os dominantes e atrai os dependentes. Começa uma desesperadora inversão de papeis, porque o MULHERÃO PARTIDÃO vira o homem da casa. Ou fica solteira. Esse tipo de mulher não sabe e não precisa representar. Ela quer trocar sentimento, fazer a relação crescer, se solidificar sem dependências e interesses velados. Às vezes tenta representar, acha que é o caminho, mas não sustenta isso por muito tempo, porque a mente se expandiu e não cabe mais naquela caixinha apertada do conformismo.

Se você reparar bem, os mulherões que você conhece e que se submetem a encenação de submissão, não raro, são as mesmas que fazem terapia, tomam antidepressivos, estão sempre irritadas, ou tornam-se consumistas… Algo precisa preencher aquele aviso luminoso de estar se obrigando a entrar num molde que não lhe cabe. Ela se esforça em ser adequada, porque é inadequado pagar a conta, mandar a primeira mensagem, fazer o que rotula-se “papel do homem”.

Pessimismo meu? Talvez! Eu estava lá fazendo enxoval, aprendendo a bordar e escolhendo um bom partido capaz de me sustentar quando meu pai bateu na mesa me mandando estudar se eu não quisesse lavar cueca de marido pro resto da vida. E eu fui estudar. Agora eu não lavo mais cuecas, hahaha. Sou pessimista? Acho que não… Só realista.

Tô atravessando a linha e indo pro lado do time mulherão, onde pretendo escalar a minha filha no futuro. Quanto ao meu filho, quero que ele aprenda que diminuir é péssimo, dividir é bom, somar é gostoso, mas multiplicar é ainda melhor.

O que a gente faz agora? Sei lá, podemos fundar um clube (que provavelmente já existe) de mulheres solitárias. Ou quem sabe encenarmos e nos encolhermos para dar espaço às inseguranças masculinas e termos assim o tão esperado relacionamento. Esperar que alguém some com a gente, ou enxergue que pode multiplicar. Sei lá! Só sei que diminuir, jamais!

Agora vai de você decidir se tem mal lavar uma cueca de vez em quando… Cabe só a você decidir com o que consegue viver e sem o que não quer viver…

“Alguém tem que ceder”; “Para cada escolha uma renúncia”; “Tudo tem um preço”…

É o que dizem! É o que dizem…

RECOMENDAMOS



COMENTÁRIOS





Luciana Marques
Luciana Marques é curitibana, nascida em 1981, mãe de dois filhos, Bióloga, formada em Educação Ambiental e Gestão Empresarial, trabalha como gerente administrativa e se diverte como escritora. Escreve por amor e hobby desde pequena. Encontrou nas palavras uma maneira de transcrever os sentimentos e sua visão de mundo, às vezes de forma intensa e complexa, outras simples e em muitas, desconexas. Acha que escrever é conversar com o mundo lá fora e com seu mundo interior. – “Às vezes, quando as palavras me sobram, escrevo...” – Luciana Marques Por @conversecomigo