O psiquiatra Flávio Gikovate em um trecho da sua participação do Café Filosófico falou sobre a generosidade e como a confundimos com uma virtude, sendo que ela não é. Confira abaixo a transcrição do trecho.

A generosidade não é virtude. A generosidade é uma fraqueza, pois o generoso diz “sim” quando quer dizer “não”, faltando-lhe, portanto, coragem para lidar com conflitos.

O generoso, além de se envaidecer devido ao seu sentimento de superioridade apoiado em sua bondade, tem também por objetivo dominar o outro, enquanto o egoísta se beneficia disso, aproveitando-se e acomodando-se nessa bondade. A generosidade não é virtude, porque reforça o egoísmo: jocosamente, para cada generoso que vai para o Céu, é necessário que um egoísta vá para o Inferno.

A tradição milenar do bem e do mal irá acabar. A generosidade tem que ser diferenciada do altruísmo. Altruísmo é uma dedicação anônima a causas, instituições e pessoas vulneráveis, já a generosidade é um jogo safado de dominação e poder. Generosidade é o trato direto entre pessoas, por exemplo, um pai que é generoso com o seu filho, dando-lhe tudo, o enfraquece e o torna dependente.

Tolamente, esse pai quer dar ao filho tudo o que não teve, porém, isso não funciona, pois o pai que não teve tudo deu certo em seu desenvolvimento como ser humano, então, não tem como o filho ter esse mesmo desenvolvimento se tiver tudo.

Transcrição feita e adaptada pelo Provocações Filosóficas da palestra: Café Filosófico: Amor nos tempos longevos – Flávio Gikovate

Confira na íntegra:

Flávio Gikovate nasceu em 1943 e publicou 34 livros. Psiquiatra, dedicou-se à psicoterapia e tornou-se um dos mais conceituados e reconhecidos psicoterapeutas brasileiros. Para conhecer diversos livros do autor, clique AQUI.