“Quando nossos filhos saem de casa e vão morar longe, se mudam de país ou vão cursar a faculdade em outra cidade, o que acontece é a perda de uma dinâmica familiar que às vezes nem era tão boa – às vezes ela se sustentava por causa da presença de um filho. Quando esse filho sai de casa, o casal tem que regredir à vida de casal e de repente descobre que fazem dezoito anos que ele vive como pais, tendo que reaprender a viver como casal, só que às vezes ele não quer mais.

A síndrome do ninho vazio às vezes é um sintoma ruim para um casal que vai ter que, agora, conviver entre si. Com um filho a menos, os pais terão que cuidar de um filho no qual eles não prestavam muita atenção e/ou cuidar de si como um casal, o qual estava descuidado até o momento porque a dinâmica na qual viviam era apenas a de pai e mãe.

A consciência da questão do filho longe e o medo da perda desse filho também chegam.
Como a nossa qualidade afetiva às vezes não é muito boa, uma criança ou um adolescente problemático em nosso meio justifica nossas falências. Quando esse adolescente sai de casa, nós ficamos sem justificativa. Chamamos isso de “bode expiatório”.

Transcrição feita e adaptada pelo Provocações Filosóficas da palestra: Adolescentes: ontem, hoje e amanhã | Ivan Capelatto – CPFL Cultura.

Confira o vídeo:

Ivan Capelatto é psicólogo clínico e psicoterapeuta de crianças, adolescentes e famílias. fundador do grupo de estudos e pesquisas em autismo e outras psicoses infantis (gepapi), e supervisor do grupo de estudos e pesquisas em psicopatologias da família na infância e adolescência (geic) de cuiabá e londrina.

Mestre em psicologia clínica pela puc-campinas, é professor convidado do the milton h. erickson foundation inc. (phoenix, arizona, usa) e professor do curso de pós-graduação da faculdade de medicina da puc – pr. Autor da obra “diálogos sobre a afetividade – o nosso lugar de cuidar”.