
A história do feminismo foi marcada por diferentes estágios, conforme as necessidades das mulheres diante de uma sociedade hostil. A busca pelo reconhecimento das mulheres em papéis sociais ou direitos óbvios, como integridade física e autonomia, foram as principais frentes de luta pelas mulheres através do movimento. Porém, centenas de anos depois, com a conquista de muitos desses direitos e uma posição social igualitária em relação aos homens, o movimento feminista precisou se radicalizar para continuar relevante. Quando grande parte das lutas originais já não se fazem mais necessárias, o feminismo passou a se transformar em ideologia. Hoje, a vertente predominante de mulheres e homens que defendem o feminismo baseia-se, muitas vezes, em argumentos que já não se sustentam mais na lógica ou na necessidade real de um grupo ou sexo. O que antes era uma luta por igualdade, hoje se tornou uma luta por poder.
O Brasil, por sua vez, é um terreno fértil para ideologias. A população tem uma característica única de ser movida pela emoção. O brasileiro vive com intensidade o que sente, o que o torna um veículo para multiplicar arquétipos ideológicos e para a polarização política. Quando um extremo político adota uma pauta, o objetivo muitas vezes não é promover causas justas ou baseadas em necessidades reais, mas sim engajar os que se sensibilizam por essas pautas. Não por lógica, mas pela emoção. Isso não gera pessoas engajadas com a realidade factual, mas devotos que repetem comportamentos e arquétipos vazios, em nome de uma ideologia. O que importa não é o caminho ou as consequências, mas a expansão e perpetuação do poder.
O feminismo nasceu com a premissa honesta de valorizar a posição feminina, mas hoje é quase irreconhecível. Quando questionado, os argumentos usados ainda são os mesmos do passado, servindo como uma forma de propaganda e sinalizar virtude. Qualquer argumento contrário a isso é rapidamente taxado de machista ou misógino, com o intuito de silenciar qualquer oposição a uma ideologia que se transformou em uma ferramenta de poder.
As conquistas legislativas para as mulheres atingiram uma proporção sem precedentes, algo que homem nenhum jamais teve. A deturpação do ideal feminista original, em sua busca pelo poder, piorou o que justamente estava lutando contra: o machismo. Para que o feminismo exista, é necessário que exista o machismo. No entanto, o homem comum nunca teve tanta proteção estatal, leis e subterfúgios políticos e sociais a favor dele, como a Lei Maria da Penha, a lei contra agressão psicológica, a alienação parental e a criminalização da misoginia, equiparada ao racismo. A balança não se equilibrou, tombou para um lado. O sonho de todo oprimido é se tornar opressor. O feminismo moderno não busca igualdade, mas poder. Ele quer para si o que combatia: um patriarcado para chamar de seu, mesmo que esse patriarcado, machista e opressor, talvez nunca tenha existido da forma como é retratado.
A violência contra a mulher é real, mas também é real a violência entre homens e entre mulheres. Homens matam mulheres, sim. Mas os homens morrem infinitamente mais do que as mulheres. A separação da violência entre homens e mulheres é uma ferramenta de divisão, usada para vilanizar um lado. Violência é violência. O feminicídio, por si só, é uma demonstração da hipocrisia da ideologia, ao tratar a vida da mulher como mais valiosa do que a do homem. Isso não é justiça. Em 2023, o Brasil registrou 45.747 assassinatos, a esmagadora maioria das vítimas sendo homens: cerca de 41.844 homens e 3.903 mulheres. Isso corresponde a uma taxa de homicídios de 40,5 por 100 mil homens e 3,5 por 100 mil mulheres. (Atlas da Violência, Ipea, 2023) Não satisfeito? O Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025 mostra que no mesmo ano houveram 44.127 mortes violentas intencionais e que dessas mortes, 91,1% foram homens. Contudo, a violência e a morte masculina são banalizadas tanto socialmente quanto pelo estado.
O feminismo moderno usa a luta por igualdade e direitos como fachada, mas o que entrega é a condenação de tudo que significa ser homem, mesmo que a minoria dos homens agrida ou mate mulheres, e que a maioria condene veementemente esses atos, não porque sejam feministas, mas por defenderem o que é correto. Ainda assim, o feminismo coloca todos os homens no papel de machistas e agressores em potencial.
Em jornais e na mídia, você verá cada vez mais notícias sobre feminicídios e o crescimento da violência contra a mulher. No entanto, assim como quando um avião cai, a mídia faz parecer que andar de avião é perigoso e que aviões caem todos os dias, mesmo que milhões de pessoas voem todos os anos sem que um avião caia, ela também potencializa e sensacionaliza a miséria e a violência de acordo com o que lhe convém. A violência e a miséria são reais, mas são colocadas na conta de quem é considerado o inimigo da vez.
Homens e mulheres não são iguais em muitos aspectos. Possuímos diferenças fisiológicas, hormonais, de densidade óssea e muscular. Temos diferenças na psique e na propensão para certos comportamentos. Por isso, é notável que homens tenham maior facilidade em lidar com coisas, máquinas e ferramentas, enquanto as mulheres têm mais facilidade para lidar com pessoas. As diferenças de comportamento entre os sexos são evidentes. Existem coisas que as mulheres fazem melhor do que os homens, claro, mas o contrário também é verdadeiro. O homem e a mulher são complementares, e incutir nas mentes das pessoas que podemos ser o que quisermos é uma das maiores mentiras já contadas para ambos os sexos (ou gêneros).
O resultado disso, muito além do feminismo, é a propagação de desequilíbrios que refletem nas pessoas, nas famílias e no bem-estar social. A separação e o desentendimento entre homens e mulheres, alimentados por ideologias modernas e pela falta de reflexão individual, estão se tornando cada vez maiores. Estamos nos condenando ao fracasso, tanto como indivíduos quanto como sociedade. A pergunta que devemos fazer é: quem realmente ganha com isso? Certamente, homens e mulheres não. A lógica do poder é dividir para conquistar. Estamos separando a sociedade, as famílias e os indivíduos, destruindo laços, confiança e estabilidade, para gerar insegurança, inimizade e ignorância.
Devemos estar atentos não só aos discursos ideológicos, mas também às suas consequências nefastas. O caminho muitas vezes pode parecer bonito e atraente, mas ele nos levará à destruição total. “O poder tende a corromper, e o poder absoluto corrompe absolutamente”. E tanto o feminismo como outras ideologias disfarçadas de avanços sociais e igualdade, na prática são um movimento de poder que promovem a separação, distinção e desequilíbrio social. Retroalimentando-se justamente daquilo que diz combater, sequestrando qualquer referência ao feminino para si e condenando o masculino ao puro machismo.





















