Com o passar do tempo, tenho conseguido confirmar que dá para se tirar alguma lição de tudo. Sim, até mesmo de um jogo de derrota do Brasil nas quartas-de-final da Copa do Mundo.

Ao final do jogo, então, pensei: há um paralelo entre esse jogo e a vida. É que, tal qual a partida, na vida, muitas vezes, nossos grandes inimigos somos nós mesmos. Assim saiu o primeiro gol. Gol contra (!!!).

Depois, um desespero pareceu desordenar o time que já não conseguia acertar nos passes e tentava, desesperadamente, chutar no gol – foram 26 finalizações brasileiras contra apenas 8 belgas (!!!).

A partida seguiu e o nervosismo imperou. A coisa ficou bagunçada, tal qual ficamos quando algo parece estar indo errado nas nossas vidas. Tem horas que parece que nos desconectamos de nós mesmos, nos sentimos perdidos, desamparados, inseguros – o medo domina. Sentimos que não somos capazes e o desespero, muitas vezes, traz duras consequências.

Nesse momento, então, o ideal talvez fosse parar, refletir, raciocinar e, depois, avançar. Acontece que a vida não espera. Tem que ir se reestruturando enquanto o jogo acontece. E assim fez o técnico, substituindo alguns jogadores, alterando o esquema de jogo e, qual não foi a surpresa: veio o único gol do Brasil na partida…

Fato é que, muitas vezes, a cobrança consigo mesmo se dá de maneira exagerada. A auto-crítica vem em demasia e a gente pensa que fracassou. Veja, os jogadores da Seleção Brasileira, na grande maioria milionários, talentosos, capazes, só jogam futebol o tempo inteiro, cheios de suporte técnico, psicológico, médico – enfim, uma equipe interdisciplinar de primeira, pronta para lhes auxiliar e, mesmo assim, erram.

Não chegaram ao topo como equipe, todavia, muito provavelmente, cada um ali chegou no “seu topo” – a própria Seleção. Cada um tem uma história de conquistas e derrotas por detrás disso, mas chegou até ali. Bem ou mal, chegou.

No entanto, que erraram, erraram e não trouxeram o caneco. Ponto. Não foram excepcionais como time, embora o adversário também tenha seus méritos, já que foi melhor e soube se aproveitar dos erros dos brasileiros. Mas, se – de alguma maneira – cada um entender que deu o seu melhor… Aí já vale!

E assim penso que deva ser na vida… A gente tem que tentar. Diversos caminhos são possíveis. Diferentes métodos. Erros e acertos, mas tem que dar o melhor, essa é a minha filosofia. Num relacionamento, num trabalho, numa amizade, na família, num gesto. Em tudo, dar o melhor de si e, depois, tirar lições do que aconteceu. Seja o resultado uma derrota ou uma vitória.

É que, me parece, a vida não é isso – vitória ou derrota, a vida é uma sucessão de uma e de outra! Dias bons e ruins; momentos bons e ruins. Viver é um desafio gigante para absolutamente todas as pessoas. Cada um sabe de si. Eu, por exemplo, gosto de – ao errar – meditar a respeito. Tentar e tentar outra vez. Mais uma. Sempre. Desistir? Às vezes é necessário, também! E isso não é demérito… Procuro encarar o desistir como “mudança de planos”… E seguir.

Enfim… Gosto do sabor de olhar para tudo ao meu redor (e dentro de mim) e pensar a respeito. Seja a eliminação brasileira nas quartas-de-final, seja o contexto histórico da Guerra nas Malvinas, sejam as minhas divagações pessoais e derrotas/vitórias diárias…

Procuro sempre analisar a situação e ver se posso tirar alguma lição dela e, acaso não consiga, tudo bem também, provavelmente num tempo futuro eu conseguirei analisá-la outra vez e compreender de outra forma – Não na busca de um ser humano melhor nem nada desse tipo, apenas na tentativa de ir levando essa vida que é desafio constante – sempre foi e sempre será.

Fato é que sempre dá para tirar alguma lição das coisas… Seja ela a de que você deve, no fim, pagar os boletos e enfrentar a barra que é viver, abraçando árvores ou ou se revoltando com o sistema. Aprendamos, sempre… Isso ninguém pode nos tirar. A propósito, terça-feira, trabalho normal.

 

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