“Reforma” do Ensino Médio ou apartheid cultural?

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O presidente Michel Temer com seu Ministro da Educação Mendonça Filho apresentou as diretrizes que irão pautar a reforma do ENSINO MÉDIO a partir de 2018.



O conjunto de medidas que virão por meio de uma medida provisória já é encarado como a maior mudança da EDUCAÇÃO BRASILEIRA das últimas duas décadas. O novo modelo, que entra em vigor a partir de amanhã, prevê uma flexibilização do currículo nessa etapa de ensino e incentiva a expansão do ensino integral no Brasil, alterando significativamente as Leis de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 9394/96).

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Alguns trechos dessa MP não estão muito claros, mas o que se entende é que o ensino de artes, educação física, filosofia e sociologia deixa de ser obrigatório no ensino médio, além de uma flexibilização na contratação de “profissionais de notório saber” em dentrimento de professores diplomados… E o que isso significa? Em curto espaço de tempo, demissões de professores que lecionam essas disciplinas e, principalmente, uma ESCOLA que não difunde o pensamento crítico, reflexivo e contextualizado.

Uma Escola que não se preocupa com a formação cultural ou com o desenvolvimento do senso estético de seus educandos. Uma Escola que não forma as habilidades motoras, físicas e sensoriais de seus alunos. Estamos mesmo vivenciando um desmonte do Ensino Médio público brasileiro em uma roupagem “moderna” de Ensino Integral de nosso governo ilegítimo e golpista… “É preciso superar o caráter discriminatório e antidemocrático do Ensino brasileiro, que destinava a escola profissional para os pobres e o Ensino acadêmico para a elite”.

Essa constatação do educador Anísio Teixeira é da década de 1930! Já se passaram quase 100 anos e ainda hoje a “REFORMA” DO ENSINO MÉDIO do governo Temer quer aproximar o jovem da Escola pública das necessidades do Mercado de trabalho… A sociedade deve entender que essa REFORMA só quer dividir ainda mais a sociedade em “trabalhadores manuais” (a maioria de pobres) e “trabalhadores intelectuais” (que irão definir os rumos da política e economia, uma minoria rica).

Não podemos aceitar esse verdadeiro apartheid educacional, social e econômico que ampliará a desiguldade em nosso país! Devemos lutar por igualdade! Educação de qualidade começa pela valorização dos profissionais do Ensino e reais oportunidades de acesso ao saber com investimentos infraestruturais, científicos e pedagógicos na Escola Pública…

André Wagner Rodrigues é historiador, filósofo e educador. Autor do livro “Sofia, a menina que gosta de filosofar”

Créditos imagem de capa: Cicero – cicero.art.com.br