“Mídias sociais favoreceram a imbecilidade” diz Mario Sergio Cortella

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O filósofo Mario Sergio Cortella, em uma  entrevista à DW Brasil, fala sobre a cultura do ódio que se disseminou pelo país, e que também na internet todos têm uma opinião, mas poucos têm fundamentos para ancorá-la.



Perguntado pela DW Brasil se as mídias sociais deram o direito à fala a legiões de imbecis, ele respondeu:

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As mídias sociais favoreceram, sim, o despontar de um palanque também para a imbecilidade e a idiotia. Antes delas, era preciso, para se manifestar, algum poder mais presente ou a disponibilidade de uma tribuna mais socialmente evidente. Agora, como efeito colateral da democratização da comunicação, temos o adensamento da comunicação superficial, na qual todos têm (e podem empresar) alguma opinião sobre algo, mas poucos têm fundamentos refletidos e ponderados para iluminar as opiniões. Como dizia Hegel: “quem exagera o argumento, prejudica a causa”.

Por que pensar e se expressar de forma distinta daquilo “com o que eu concordo” passou a ser o estopim para reações de ódio exacerbado no Brasil?

“Uma sociedade antes fragmentada concentrou-se em ser mais dividida. Isto é, dois lados em confronto, agora dispondo de arsenais mais contundentes de propagação e, por outro lado, vitimadas por poderes comunicacionais dos quais desconhece a face e o interesse. O salvacionismo moral sugerido por alguns em meio a uma crise de valores republicanos e à degradação econômica encontrou fácil disseminação. Como se diz em português: “para quem está com o martelo na mão, tudo é prego…”

Veja a entrevista completa em DW Brasil

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