Sim, o empoderamento feminino entrou em pauta e é bom que permaneça. Ele é importante para a sociedade como um todo, não somente para as mulheres. Isso é uma questão do ser humano, do ser social. E somos. Não há como negar. Eu gosto muito de ficar sozinha, confesso. Adoro minha própria companhia e me auto-entretenho, mas não posso refutar a ideia de que somos seres sociais.


Ademais, estando em pauta, é normal que desperte curiosidade e gere discussões e equívocos. Um deles, bem comum, é o fato de que se confunde um pouco o empoderamento feminino com um certo ódio ao que seja masculino.

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Alto lá! Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Fomentar o empoderamento das mulheres em nenhuma medida significa enfraquecer o homem, demonizá-lo ou hastear a bandeira do ódio.

Nesse contexto, na seara dos relacionamentos, por exemplo, há, sim, espaço reservado para aquelas mulheres que bradam pelo empoderamento feminino e que preferem ter relacionamentos exclusivamente com outras mulheres, como também há espaço para as que preferem tê-lo somente com homens, outras com os dois e, até, para as que preferem não ter relacionamento algum!

É bom que realmente não se confunda empoderar uma mulher com abominar o homem. Nem que se prime pelo poder feminino em detrimento do masculino. Não se trata de uma disputa pelo reinado absoluto da humanidade, nem da corrida armamentista entre gêneros. É bem mais que isso e é possível, sim, lutar pelo empoderamento feminino sem suplantar o mundo masculino.

No entanto, eu até compreendo essa confusão toda. Afinal, essa eterna dualidade – homem/mulher – sempre deu pano pra manga. Não é de hoje e não terminará amanhã.

Então, de fato, como lidar com esses institutos, essas forças que parecem tão antagônicas? A resposta está na própria pergunta. Qualquer pessoa que entenda minimamente de física, por exemplo, compreende que as forças contrárias geram certo equilíbrio, uma vez que se cancelam. Vem das tensões opostas a possibilidade da harmonia – uma tensão à esquerda e outra à direita manterão o objeto estático. Além disso, o ser humano possui um pouco de masculino e um pouco de feminino dentro de si – seja por um viés mais etéreo – Yin e Yang – seja por um mais científico, como diante da testosterona que é necessária no corpo de qualquer gênero, seja para gerar uma nova vida, enfim.

Assim, muito embora eu veja certa explicação para a confusão gerada pelo termo eu desejo muito que as pessoas pesquisem, reflitam, dialoguem e percebam que o empoderamento feminino não é mimimi de feministas exageradas ou moda para vender camiseta com estampa da Frida Kahlo.

A informação certa sempre clareia as idéias. Informe-se. A convivência em harmonia plena entre os gêneros pode até ser uma utopia, mas sua busca, o caminho, o percurso, não são. A tentativa de mudança de algo que incomoda sempre é válida.

As coisas têm melhorado e muito para o lado feminino. A estrada ainda é longa, mas é preciso que se compreenda, independente da opção sexual de cada um, estejamos ao lado de nossos amantes – homens ou mulheres, o empoderamento feminino não é o ódio aos homens. Nunca será.